O empresário José Pupin apresentou à Justiça um conjunto de acusações graves contra o grupo Midas/Fource, alegando que a empresa teria atuado como um “parasita corporativo”, se apropriando de receitas milionárias e de propriedades rurais pertencentes à sua família.
Segundo a ação, a Fource teria usado uma rede de empresas e fundos de investimento interligados para desviar valores expressivos provenientes do arrendamento de fazendas do grupo familiar.
Esquema com fazendas e fundos
Um dos exemplos citados é o da Fazenda Marabá, de onde, conforme o processo, teriam sido desviados cerca de R$ 10 milhões apenas na safra 2021/2022. O montante, segundo a denúncia, foi destinado ao Fundo AFARE I – Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados, operado pela própria Fource.
“Cite-se o direcionamento de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) do arrendamento da safra 2021/2022 da Fazenda Marabá em favor do Fundo AFARE I (…) celebrado em 17/12/2020”, diz trecho da petição.
O documento também aponta que, nos anos de 2024 e 2025, a empresa Midas Agro, ligada ao grupo Fource, cedeu direitos de crédito de três safras futuras da mesma fazenda — 2024/2025, 2025/2026 e 2026/2027 — à GO Agro Armazéns Gerais Ltda., recebendo R$ 15,8 milhões, R$ 15,6 milhões e R$ 13,4 milhões, respectivamente.
“Atuação predatória e travestida de consultoria”
A petição descreve que o caso expõe uma “atuação obscura e predatória, travestida de consultoria”, que teria se aproveitado da vulnerabilidade da família Pupin e da falta de fiscalização para tomar o controle das propriedades e de suas receitas.
Pupin afirma ter sido induzido a assinar contratos e procurações que transferiram o comando das propriedades para a Midas/Fource, sob a promessa de gestão especializada — o que, segundo ele, acabou se tornando um mecanismo de exploração patrimonial e desvio de lucros.
“Eles usaram a estrutura para sugar o que foi construído pela minha família, desviando milhões e deixando um rastro de dívidas”, afirmou o empresário.
Envolvidos e antecedentes
O Grupo Fource tem como sócios os empresários Valdoir Slapak, Haroldo Augusto Filho, Heraldo dos Reis, Cleverson dos Santos, Silvana Ferreira Barbosa, Cleverson Pasqualli e Giancarlo Morini Marques.
Em novembro do ano passado, Valdoir e Haroldo foram alvos de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal, no inquérito que investiga venda de sentenças judiciais, deflagrado após análise do celular do advogado Roberto Zampieri.
Disputa judicial em curso
O caso tramita na Justiça e envolve questões complexas de direito societário e gestão de ativos rurais. Pupin pede a anulação dos contratos firmados e a restituição dos valores desviados.
Até o momento, a Midas/Fource não se manifestou publicamente sobre as acusações. Caso as denúncias sejam comprovadas, os envolvidos podem responder por apropriação indevida, fraude contratual e gestão temerária, com possíveis repercussões criminais e patrimoniais.




























