O mercado do feijão segue em trajetória de alta em Santa Catarina, impulsionado pela redução da oferta nacional, menor área cultivada e impactos climáticos nas principais regiões produtoras. O movimento de valorização se intensificou em abril e continua sustentado no início de maio, segundo dados do Boletim Agropecuário da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina.
Feijão-carioca lidera alta e acumula valorização superior a 50% no ano
Em abril, o feijão-carioca registrou alta de 9,23% em relação a março, alcançando preço médio de R$ 259,29 por saca de 60 quilos no mercado catarinense. Já o feijão-preto avançou 2,18%, com média de R$ 159,43 no período.
Na comparação anual, o movimento é ainda mais expressivo. O feijão-carioca acumula valorização de 51,85% frente a abril do ano passado, enquanto o feijão-preto apresenta alta de 11,12% no mesmo intervalo.
De acordo com a Epagri/Cepa, a principal causa da escalada de preços é a redução da oferta nacional, influenciada pela diminuição da área plantada e por problemas climáticos em importantes polos produtores.
Oferta restrita mantém pressão de alta no início de maio
No primeiro decêndio de maio, o mercado catarinense manteve o viés de alta. O feijão-carioca atingiu média de R$ 268,77 por saca, aumento de 3,6% em relação a abril.
A restrição de oferta segue como principal fator de sustentação dos preços, com destaque para a forte retração da produção no Paraná — maior produtor nacional — onde a área colhida na primeira safra caiu 44%. Na segunda safra, a produção estimada é de 377 mil toneladas, cerca de 30% menor que no ciclo anterior.
Produção nacional deve recuar na safra 2025/26
As projeções mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento indicam retração na produção brasileira de feijão no ciclo 2025/26. A área destinada às três safras deve cair para 2,6 milhões de hectares, redução de 4,1%.
A produtividade média também deve recuar 1,1%, para 1.124 quilos por hectare, resultando em produção estimada de cerca de 2,9 milhões de toneladas — queda de 5,2% em relação à safra anterior.
A Região Sul concentra as maiores perdas, com redução superior a 26% na área e queda de 28,3% na produção, o que intensifica a pressão sobre os preços no mercado interno.
Possibilidade de importações pontuais no radar do setor
Segundo análise do pesquisador João Alves, da Epagri/Cepa, o Brasil pode precisar recorrer a importações pontuais nos próximos meses para equilibrar o abastecimento.
“Embora a produção nacional ainda garanta autossuficiência, quebras mais severas, como as registradas no Sul, podem exigir importações pontuais, especialmente de feijão-preto vindo da Argentina”, avalia o analista.
Santa Catarina reduz área e produção mesmo com preços em alta
Em Santa Catarina, a colheita da primeira safra está praticamente concluída, mas o ciclo foi marcado por instabilidade climática, incluindo temperaturas abaixo da média, geadas tardias no Planalto Sul e irregularidade das chuvas.
A área plantada caiu 24%, somando 26,5 mil hectares. A produtividade média ficou em 1.978 quilos por hectare, redução de 3,7%, enquanto a produção total foi estimada em 52,5 mil toneladas — queda de 26,6%.
Na segunda safra, a área cultivada recuou mais de 40%, mesmo com o avanço dos preços. O plantio totalizou 19,3 mil hectares, com apenas 7% da área colhida até o momento. A produção estadual pode ter retração próxima de 40%, segundo a Epagri/Cepa.
Clima adverso amplia incertezas e sustenta preços
O excesso de chuvas no fim de abril aumentou as preocupações em regiões produtoras como Chapecó, Xanxerê e Curitibanos, com risco de atraso na colheita e perda de qualidade do grão.
Mesmo diante das incertezas, o cenário de oferta restrita segue como principal fator de sustentação dos preços do feijão no mercado catarinense e nacional, mantendo o viés de alta no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


























