Quem acompanha, por ossos do ofício ou curiosidade mórbida, o dia a dia da Câmara provavelmente se assustou ao ver na TV, desde 2023, um novato com pinta de vilão de HQ que chama todo mundo para a briga lá fora.
Eleito deputado em 2022 com 87.072 votos (o segundo mais votado) em Mato Grosso, Abílio Brunini (PL) nunca se esforçou muito para afastar o estereótipo de encrenqueiro pouco afeito aos estudos.
A fama precedia o rosto ao menos no plano nacional.
Antes de tomar posse, ele já tinha causado espanto ao culpar, em entrevista para um podcast, a mãe e o Estatuto da Criança e do Adolescente por um caso de estupro de vulnerável envolvendo uma criança de 11 anos.
“O que essas crianças assistiam para poder fazer (sexo)?”, questionou, deixando a entender que se alguém oferecesse alfafa naquele momento ele talvez só desconfiasse que faltava sal.
No plenário, Brunini já passou pano para invasores das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, mentiu sobre uma suposta ação ordeira de golpistas e tumultuou diversas sessões da CPI para investigar os atos antidemocráticos sempre com um sorriso no rosto de menino que está prestes a ser mandado para fora da aula.
Em setembro do ano passado, ele realmente foi expulso de uma sessão da CPMI do Golpe de tanto interromper a fala dos colegas. Até o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), perdeu a paciência.
O deputado bolsonarista se tornou o símbolo da bancada da lacração, junto com Nikolas Ferreira, do PL de Minas, e grande elenco, filmando, provocando colegas, fazendo gestos supremacistas (já fez o símbolo do White Power com os dedos, por exemplo) e produzindo frases preconceituosas.
Chegou a ser investigado pelo Conselho de Ética da Câmara por sugerir que a colega Erika Hilton (PSOL-SP) “ofereceria os seus serviços” fora da Casa.
Pois é com este currículo que o hoje candidato a prefeito de Cuiabá pelo PL chega como favorito para vencer o médico Lúdio Cabral, do PT, na disputa pelo segundo turno da capital mato-grossense.
Cuiabá é uma das duas capitais em que candidatos do PT e do PL se enfrentam diretamente; a outra capital é Fortaleza.





























