O mercado de trigo apresenta comportamento divergente entre o cenário interno brasileiro e o ambiente internacional. Enquanto o Sul do Brasil registra negociações lentas, com compradores mais seletivos e logística influenciando as cotações, a Bolsa de Chicago opera em baixa nesta sexta-feira (12), com investidores atentos ao clima global e às perspectivas da nova safra mundial.
Mercado interno: Sul do Brasil segue com baixa liquidez e negócios pontuais
O mercado de trigo no Sul do país continua em ritmo lento, com baixa fluidez nas negociações e postura cautelosa por parte dos moinhos. A demanda por farinhas, os custos logísticos e a seletividade na compra seguem como fatores determinantes para o comportamento dos preços.
Rio Grande do Sul: leve alta, mas sem volume expressivo
No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram leve avanço, acompanhando a referência do trigo argentino em Canoas, cotado a cerca de US$ 300/t. Ainda assim, não houve mudanças significativas no ritmo dos negócios.
As indicações de mercado giram em torno de:
- R$ 1.350/t FOB (junho/julho)
- R$ 1.370/t (julho/agosto)
- R$ 1.400/t (agosto cheio)
No mercado CIF, o trigo de melhor qualidade varia entre R$ 1.480 e R$ 1.500/t, enquanto lotes inferiores ficam entre R$ 1.400 e R$ 1.420/t. A disponibilidade estimada é de cerca de 190 mil toneladas, considerada insuficiente para abastecer até a próxima safra.
O trigo branqueador registra negócios entre R$ 1.450 e R$ 1.480/t FOB, enquanto a safra nova aparece em torno de R$ 1.250/t FOB para novembro.
Santa Catarina: estabilidade com influência do frete
Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente estável, com apenas operações pontuais. O frete continua sendo o principal fator de variação nos preços finais.
- Trigo catarinense: R$ 1.350 a R$ 1.400/t FOB
- Ofertas do Paraná (Sudoeste): R$ 1.320 a R$ 1.350/t
- Balcão: estabilidade geral com altas pontuais em Chapecó e Xanxerê
- Paraná: moinhos abastecidos e compras futuras
No Paraná, o ritmo de negócios também é lento, com moinhos relativamente abastecidos e compras mais concentradas em setembro e na safra nova.
- Trigo branqueador: próximo de R$ 1.450/t FOB
- Safra nova: entre R$ 1.320 e R$ 1.350/t FOB
- Mercado internacional: trigo recua em Chicago com atenção ao clima global
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de trigo abriram em queda nesta sexta-feira (12), refletindo a cautela dos investidores diante das condições climáticas nas principais regiões produtoras e das expectativas para a oferta global.
Os principais vencimentos registraram recuo:
- Julho/26: 584,50 cents/bushel (-2,50)
- Setembro/26: 595,50 cents/bushel (-2,75)
- Dezembro/26: 612,00 cents/bushel (-2,75)
Clima global e El Niño entram no radar do mercado
O mercado internacional acompanha de perto a possível intensificação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. O evento climático pode gerar impactos distintos entre as regiões produtoras:
- Risco de perdas em áreas da Ásia e Austrália
- Condições potencialmente favoráveis para a Argentina
Segundo projeções do mercado climático, o aumento das chuvas pode beneficiar a produção argentina na safra 2026/27, com estimativas de colheita próximas de 20 milhões de toneladas, um dos maiores volumes da história do país.
Brasil: clima e semeadura seguem no foco dos agentes
No cenário doméstico, o mercado brasileiro permanece atento ao avanço da semeadura das lavouras de inverno, especialmente no Sul do país. As condições climáticas das próximas semanas serão decisivas para o desenvolvimento inicial das lavouras e para a definição das expectativas da safra nacional.
Resumo do cenário:
O trigo combina baixa liquidez no mercado interno brasileiro com pressão externa em Chicago, enquanto o clima global e o El Niño adicionam volatilidade às projeções de oferta para os próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


























