DEU NO INTERCEPT

Unimed Cuiabá pagou R$ 2,4 milhões a delegados da PF por investigação privada

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” Uma empresa de consultoria pertencente a dois delegados da Polícia Federal recebeu R$ 2,5 milhões da Unimed Cuiabá para produzir relatórios sobre a gestão anterior do plano de saúde que contribuíram para operação policial cujo alvo era o ex-presidente da entidade “

Uma empresa de consultoria pertencente a dois delegados da Polícia Federal recebeu R$ 2,5 milhões da Unimed Cuiabá para produzir relatórios sobre a gestão anterior do plano de saúde e prestar serviços de compliance. O resultado da investigação privada embasou uma operação da própria PF e do Ministério Público Federal, desencadeada em 2024, contra os diretores de uma chapa adversária da gestão que contratou a empresa.

Um dos delegados empresários é Rodrigo Piovesano Bartolamei, ex-superintendente da PF em São Paulo, cargo-chave para o qual foi nomeado durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), e ex-chefe da Interpol no Brasil durante o governo de Michel Temer (2016-2018).

Em resposta ao Intercept Brasil, os delegados afirmaram que atuaram para a empresa durante licenças da PF a fim de tratar de interesse particular, com aval do setor jurídico do órgão e decisão superior. Eles defenderam a legalidade da sua atuação e afirmaram que não mantiveram contato com nenhuma autoridade da PF e do MPF para tratar de interesses do plano de saúde. Bartolamei afirmou que não atuou na fase da investigação interna, apenas no serviço de estruturação de compliance.

A Trinity Consultoria recebeu os valores da Unimed Cuiabá de abril de 2023 a março de 2025. Trata-se de um plano de saúde sediado em Mato Grosso com mais de 201 mil beneficiários. No papel, a empresa dos delegados teria o objetivo de fazer um “levantamento diagnóstico e revisão de processos” para a recém-empossada gestão do plano de saúde, entre outras atividades.

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O trabalho da consultoria teria ajudado a revelar um suposto esquema, segundo a denúncia do MPF, de uso de documentos falsos e falsidade ideológica na elaboração de documentos contábeis, tudo supostamente praticado pela gestão anterior da Unimed. Em abril de 2024, o MPF fez um acordo de leniência com o plano de saúde, no qual era previsto a implementação de “programas de integridade”.

Os contratos entre a Unimed e a Trinity começaram com R$ 87 mil por mês e depois aumentaram para R$ 135 mil mensais. Isso sem contar “honorários de êxito” incluídos num segundo contrato, que estipulam pagamentos milionários à empresa dos policiais caso a Unimed consiga recuperar o dinheiro. Os delegados dizem que, até o momento, nada receberam em função desse segundo contrato.

Os sócios da Trinity – donos de 98% das quotas – são Bartolamei e o delegado federal aposentado Carlos Eduardo Fistarol, que era delegado da ativa em Santa Catarina, mas pediu exoneração em dezembro de 2024, em meio à execução do contrato com a Unimed. Os outros 2% pertencem a Denise Caroline Mutti Perroni Fistarol, servidora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e esposa de Fistarol.

Um ofício da direção da Unimed Cuiabá de março deste ano, ao qual o Intercept teve acesso, confirma que os trabalhos da Trinity Consultoria resultaram na “responsabilização dos antigos gestores, na operação Bilanz da PF e em várias ações de responsabilidade cível e criminal”.

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O outro lado

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Unimed Cuiabá esclarece que as investigações que resultaram na Operação Bilanz foram conduzidas exclusivamente pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), com base em elementos apurados por esses órgãos no exercício de suas atribuições legais e institucionais.

A Trinity Consultoria Ltda., por sua vez, foi contratada entre abril de 2023 e abril de 2025 como parte de um amplo processo de reestruturação e fortalecimento da governança da cooperativa. Seu papel se limitou à realização de diagnósticos e ao levantamento de inconformidades e inconsistências administrativas e contábeis detectadas em gestões anteriores. As informações coletadas foram devidamente encaminhadas às autoridades competentes para análise e, quando pertinente, foram tomadas providências legais cabíveis por parte deles.

Todo o trabalho da consultoria foi acompanhado pelo setor de compliance da Unimed Cuiabá e se deu em conformidade com os princípios legais e com os valores institucionais da cooperativa.

É importante esclarecer que a empresa não teve qualquer participação na condução do acordo de leniência firmado entre a Unimed Cuiabá e o Ministério Público Federal, tendo sido o mesmo conduzido exclusivamente pela Diretoria Executiva da Unimed Cuiabá com o auxílio de assessoria jurídica especializada.

A Unimed Cuiabá reafirma seu compromisso com a transparência, a ética e o cumprimento rigoroso de todas as normas aplicáveis ao setor cooperativista de saúde. Seguimos à disposição dos órgãos competentes e da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais.

Unimed Cuiabá

Veja os documentos 

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